Este livro foi selecionado pelo Programa Petrobras Cultural e publicado pela Companhia das Letras em 2013.

As personagens são três: Oneiro, mãe e filho e a narrativa se dá em primeira pessoa na ótica dessas três personagens, as quais recebem um capítulo inteiro para si. Desse modo, os capítulos são curtos e seguem um padrão de revezamento: oneiro, mãe, oneiro, filho.

O oneiro trabalha no Edifício Midoro Filho, localizado no Centro de São Paulo, próximo da Praça da Sé. Sua função, como a de outros oneiros que lá trabalham, é lidar diretamente com o público. Eles atendem os sonhantes e por meio de miniaturas sugerem palavras, frases ou situações para que o sonhante dê continuidade, tenha alguma reação. Pela política do Edifício, não era permitido que o oneiro atendesse duas pessoas da mesma família, mas esse oneiro atende mãe e depois filho e por mais que nunca tenha se interessado por nenhum sonhante, com esses dois ele beira a obsessão.

O nome da mãe é Maria Aparecida, trabalha como taxista e foi abandonada pelo marido, Ademar, tendo que cuidar de um filho de dezesseis anos sozinha e para quem mente dizendo que o pai está internado no hospital.
O filho, Gilsinho, faz um curso técnico de publicidade e ainda é um adolescente, mas diante da insistência da mãe, se vê obrigado a trabalhar para ajudar nas despesas da casa. Assim, começa a trabalhar em um posto de gasolina como frentista.
A mãe, quando visita o oneiro é mais receptiva, aceita de pronto as sugestões que ele oferece e permite que ele trabalhe em cima delas, ao contrário de Gilsinho, que é mais fechado e pouco imaginativo, emana insegurança. No decorrer no livro, entretanto, podemos acompanhar seu amadurecimento de acordo com as experiências que ele vai vivendo.

Logo no início do livro eu quis saber o que era um oneiro e esperava que em algum momento da leitura aparecesse a definição, até que por fim entendi que não iria aparecer, porque acredito que o intuito do livro é fazer com o leitor crie sua própria definição com o que lhe é narrado e também com o que não é narrado, é trabalhar o lado onírico do leitor da mesma forma que o oneiro trabalha o de seus sonhantes. Mas nem por isso a surpresa é menor quando percebemos que o que foi trabalhado numa sessão com o oneiro é interpretado de uma forma singular pela mãe ou pelo filho. Assim, o livro permite que tenhamos uma visão fragmentada, sem sentido, como são os sonhos, para logo em seguida ampliar de modo que faça mais sentido.

A leitura começa parecendo não fazer sentido algum, quando num estalo você percebe que faz todo sentido e só por ter essa iluminação a experiência de leitura já vale a pena.

2 Comentários

  1. Olá,
    Eu não conhecia esse livro ainda. Fiquei me perguntando o que seria um oneiro até chegar na parte da resenha que você explica hehe. Achei interessante e acho que é um livro que eu leria. Ainda mais por ter esse amadurecimento por parte de um dos personagens.

    Blog Prefácio

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  2. Olá!
    Ainda não conhecia esse livro, mas achei a premissa bem legal.
    Acho que sentiria também, no começo, que as coisas não faziam sentido, mas acredito que a leitura valha a pena.
    Gostei muito do seu post e já anotei a dica.
    Beijos,
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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