Cada escritor ou roteirista tem a sua forma especial para desenvolver as suas
criações. Não existe regras específicas para isso. Porém é sempre importante
aceitar e comparar técnicas conhecidas de quem já trabalha com isso. Uma das habilidades indispensáveis para quem escreve muitos romances e roteiros é o argumento.
O argumento é o esqueleto do roteiro. Ele serve para dizer o que acontecerá durante toda a trama. É como contar uma história sem nenhuma narração ou diálogo. É um texto repleto de "o personagem X fará isso, o personagem Y fará aquilo enquanto na cidade A acontece isso". O argumento é uma forma do roteirista preparar a história antes de escrevê-la para valer.
Muitas vezes o autor não tem tempo para escrever, por estar atarefado com múltiplos projetos e também estar focado em diversas obras. Neste caso, ele desenvolve os argumentos e os deixam reservados para que os mesmos não se percam nas suas ideias.
O roteirista quando é contratado para desenvolver o texto para um filme ou uma peça, costuma receber instruções do cliente do que será necessário e essencial para a obra. Daí ele pautua e elabora primeiramente o argumento, conferindo e desenvolvendo depois até finalizar o roteiro.
Se você já tem a sua ideia de história, mas não tenha a mínima ideia de como irá movimentá-la para a transformar em roteiro, então é necessário antes aprender a fazer argumento.
Para não se perder na elaboração e concentração, faça o argumento com frases. Oito laudas já são suficientes para um livro comum. Se houver enredos paralelos, coloque a frase em outra cor ou em negrito. Isso o ajudará a se manter concentrado e não se perder na estrutura.

Quando o olhar, adivinhando a vida,
prende-se a outro olhar de criatura,
o espaço se converte na moldura,
o tempo incide incerto sem medida,

as mãos que se procuram ficam presas,
os dedos estreitados lembram garras
da ave de rapina, quando agarra
a carne de outras aves indefesas,

a pele encontra a pele e se arrepia,
oprime o peito o peito que estremece,
o rosto o outro rosto desafia,

a carne entrando a carne se consome,
suspira o corpo todo e desfalece
e triste volta a si com sede e fome.

Por Arsenio Meira

O Poeta em Chamas


Sobre Murilo Mendes, é comum ouvir ou ler: "é um poeta esquecido, sem a mesma atenção dos poetas eleitos pelo grande público, pela crítica, e etc etc." A carga de injustiça detectada por esse (quase) lugar-comum é dolorosa. Talvez, essa releitura dos seus melhores poemas, mediante seleção graduada e apurada, com ensaio certeiro sobre a obra muriliana mitiguem essa pecha de poeta hermético. A edição da Cosac Naify faria Murilo dar cambalhotas de alegria ou plantar bananeira em pleno centro de Belo Horizonte... (ele agiria assim, a julgar pelo testemunho dos seus colegas de geração, ou dos seus conterrâneos.) João Cabral, certo dia, escreveu sobre Murilo: "Sua poesia sempre me foi mestra, pela plasticidade e novidade da imagem. Sobretudo foi ela quem me ensinou a dar precedência à imagem sobre a mensagem, ao plástico sobre o discursivo. É, em minha vida um poeta definitivo." O homem, portanto, é titular absoluto entre os grandes poetas do nosso modernismo. João Cabral e Vinicius de Moraes, por exemplo, passaram a vida inteira reconhecendo a força do seu lirismo. Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1901. Partiu em 1975, em Lisboa. No dia 13 de agosto.


Um poeta fascinante, à primeira vista pode parecer um poeta difícil. Mas não é. É que sua liberdade criadora nunca foi capaz de domar o seu feroz lirismo, de onde que se percebe em Murilo uma poesia instigante e perturbadora. Que irrigou em vários caminhos sementes da mais pura poesia. Do poema-piada aos experimentos dos seus grafitos. A Canção do Exílio, uma sátira sua ao clássico poema de Gonçalves Dias, por exemplo, pertence ao primeiro momento dele como poeta; o modernismo ainda em chamas, o poema piada (onde Oswald mandava tão bem) em voga; o poeta não se esquivou ao movimento modernista, ainda que tenha escrito que não participaria de escola alguma, ao menos fisicamente, na linha de frente, pois não seria um numeral para premiar a cabeça de bagre de um algum crítico desavisado. Mas era uma época de resistência para eles, e não é fácil estourar uma revolução. Foi justamente isso o que ele, Drummond, Mário de Andrade, Bandeira, Mennoti Del Picchia, Cassiano Ricardo e o próprio Oswald (dentre outros) fizeram. Não é fácil lutar contra costumes já sedimentados (o parnasianismo, a literatura beletrista e etc). Drummond, ao escrever o Poema da Pedra em 1928, provocou uma confusão dos diabos. Foi taxado de débil mental e etc. Oswald não perdoava ninguém, e em contrapartida teve papel também decisivo, e no final das contas quase entra para o limbo, mas isso já são outros quinhentos. 


Mário de Andrade e Manuel Bandeira como verdadeiros desbravadores ou pioneiros - deram rumo ao século XX em nossa vida literária. Murilo, após esse primeiro momento de afirmação transformou-se no poeta definitivo, tão bem descrito por João Cabral, Cabral que foi um dos principais legatários do próprio Murilo e de Carlos Drummond de Andrade. Pelos idos dos nãos 30, Murilo virou um católico militante, ardente. Pelas mãos de Ismael Nery e Jorge de Lima, toda culpa jamais seria perdoada. Preceitos de uma quadra de sua vida em que a solidão era companheira. A conversão não o tornou mais otimista, nem lhe suprimiu a angústia típica daqueles que sentem tão a fundo os dissabores da humanidade, que chegam a escrever, como Murilo escreveu, este sintético e impactante poema (infelizmente, atualíssimo):


"A TENTAÇÃO 


Diante do crucifixo

Eu paro pálido tremendo
Já que és o verdadeiro filho de Deus
Desprega a humanidade desta cruz.

Murilo era um poeta religioso, um espírito metafísico, mas nunca dispensava o senso de humor. Um poeta é capaz desta proeza: de ser dramático sem deixar de achar graça em tudo. Autor de uma História do Brasil, Murilo foi também um profeta. E um profeta bem-humorado, como está evidente nos versos brincalhões que escreveu a propósito dos fatos da nossa história, tratada quase sempre com excesso de retórica e escassez de documentos e de pesquisa. Publicada em 1932, numa edição modesta, a História do Brasil tem, por exemplo, um Hino do Deputado, que começa assim: "Chora, meu filho, chora./ quem não chora não mama,/ Quem não mama fica fraco." E por aí segue o poema/chiste.


Pode haver coisa mais atual? Murilo tinha o gosto do superlativo. Fico imaginando onde é que o poeta iria hoje buscar superlativos superlativíssimos para falar do Brasil deste ano da graça de 2014. De lá para cá, mais do que antiquíssima, a corrupção se tornou atualíssima e obsessão nacional. Com p ou sem p, antiquíssima, a corrupção sempre existiu. Lá está no Gênesis: assim que os homens começaram a famosa, multiplicação, o Senhor logo viu que a maldade deles era grande. Ferido de íntima dor, arrependeu-se de ter criado o homem. Mas eu falava sobre o poeta. Não esqueçamos que Murilo Mendes, por exemplo, foi um dos poetas mais latejantes, honestos e inventivos do nosso modernismo. Ele levava a ferro e fogo o lema de Pound: é preciso inovar sempre. Acho até que ele exagerou um pouco, mas o leitor poderá ler em sua volumosa obra poética que ele travou uma luta íntima para transformar-se. Inovar-se sem ferir a própria essência. Como os já citados grafitos, por exemplo, ele conseguiu, penso eu. Tenho a opinião que Murilo não caiu na esparrela da infertilidade, abstracionismo que obscurece muitos escritores, que correm mundo afora. A destreza verbal de Murilo é acachapante. Por muitos anos, li Murilo em Pé, deitado, no táxi, nas pausas das lides forenses. Esse poema inovador, com neologismos bem a calhar, que não distanciam o poema do lirismo que o tema reclama: a saudade do pai, o reconhecimento do amor paterno.


"Grafito na pedra de meu pai 


Teu filho pródigopolêmico girovagoAnárquico alicaídoInsoferente do Século


Acolhes preparandoPerdão vitualha serenim....Tu fosteCasa feita/ paz/ ternuraAberta para o mundo.Santo-e-senha distribuíasA pobre, amigo, ignoto.Irônico/ repentista/ malincônicoEis tua marca maior: hombridade.[...]Trabalhador da vida. Homem de aço& seda, sinto ainda pulsarteu coraçãoecumênico."


A gente ama Murilo Mendes, como ama T.S Eliot. Primeiro pela música, até mesmo antes que se entenda o que ele quer dizer. É uma devoção ou paixão que dura para sempre, porque Murilo, quando relido, é sempre novo, de uma fertilidade verbal e espiritual inesgotáveis.

O roteiro empregado em gibis e tiras é menos textual e mais visual. Por esse motivo que a ação e o humor devem ser mais desenvolvidos, porque a narração passa a ser um pouco desnecessária, dependendo do enredo.
O roteiro de tira funciona como uma piada. A piada deve ser rápida e prática, sem rodeios, porque fará algo que conhecemos no teatro como "golpe cênico", que é quando uma cena não precisa ser esmiuçada. A plateia capta e reage na hora (com risos, surpresa ou emoção), demonstrando entendimento.
Exemplo: qualquer cena engraçada, trocadilho ou pensamento filosófico pode ser transformada e adaptada para uma tira. Tudo dependerá da praticidade e criatividade.
Já o roteiro para quadrinhos exige enredo. Precisa-se pensar no que você quer focar ao elaborar a aventura de humor ou de ação para o seu personagem e os seus coadjuvantes.
Uma dica para se ter muita criatividade e desenvolvimento para os seus personagens é desenvolver a biografia dos personagens e a trama em volta. Há mais de 80 anos que a Família Disney se estende e por centenas de milhares de histórias em quadrinhos. Isso porque todos nós conhecemos o que acontece em sua "civilização". O Mickey, apesar de ser um camundongo antropomórfico, é o típico jovem adulto americano, com seus problemas pessoais como um emprego modesto, pouco dinheiro, um noivado atrasado, os sobrinhos para tomar conta, entre outros eventuais problemas. Junto com isso, ele também tem bons amigos e alguns inimigos que são necessários para que ele tome decisões inteligentes. Esse arquétipo também é empregado no Donald, na Minnie e na Margarida (os três também são jovens adultos com noivado, emprego simples, pouco dinheiro e sobrinhos sob suas responsabilidades).
Outro exemplo são os super-heróis dos quadrinhos. Se você perceber pelo menos 98% deles são órfãos. O impacto da tragédia e da perda que os motivam a tomar uma atitude punitiva a favor da sociedade, sempre com um apelo extravagante. O vilão que transforma o herói. Quanto mais o herói ficar atrelado à problemas pessoais, como a família, emprego e relacionamentos, mais humanizado ele se tornará, ganhando identificação e caindo no gosto dos leitores. E para dar mais construção e desenvolvimento, é só investir na biografia dos personagens coadjuvantes, com drama e humor na medida certa.

Quando for desenvolver roteiros para uma série de personagens, seja infantil com humor ou jovem com ação ou até mesmo adulto com drama, primeiramente elabore toda a biografia do grupo de personagens, além da história do local. Desta forma, qualquer temática fluirá naturalmente para desenvolver qualquer tipo de história.

Minha rotina continua na mesma: Acordar cinco horas da manhã, ir para o cursinho, ir trabalhar e chegar em casa meia- noite. Ainda continuo muito sem tempo para me dedicar ao blog, mas estou com a cabeça fervilhando de ideias para quando eu voltar.

Fico surpresa quando vejo que o blog ainda recebe visita mesmo na minha ausência. É um estímulo  a mais para não desistir.

Uma boa notícia é que já estou lendo o último livro da lista de livros da Fuvest.
Uma má notícia é que li muitos poucos livros esse ano.

Estou tão sem tempo que nem os livros do Bibliotecando 5 eu tive tempo de devolver.

Bem, é só isso. Mais novidades eu dou um jeito de avisar.

Fiquem bem.

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.
Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.
Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido
Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.


Um escritor pode trabalhar em diversas atividades envolvendo a escrita e uma delas é com algo em que ele está muito habituado a fazer que é o roteiro. Mas o que afinal o roteiro profissional tem de diferente para o roteiro de um romance? O lado profissional.
O escritor quando é roteirista tem o ofício de escrever seguindo regras
terceirizadas, seguindo o rumo determinado pelo cliente, no caso, o produtor ou
diretor da peça ou do filme. O argumento fica estabelecido e o roteirista segue a sua parte, com a questão do enredo já programado, se atentando no tempo e limites da produção.
O escritor que trabalha como roteirista tem uma ótima lição de disciplina e
controle, podendo desenvolver e construir bons textos e diálogos na extensão que quiser.
Exercício: use uma sinopse alheia e faça um roteiro, sem descrições de ambiente.

Somente falas. Faça 4 laudas e depois meça o tempo na leitura. O tempo depende muito das linhas de cada diálogo.

Quando a palavra "história em quadrinhos" é lida ou pensada, temos o hábito de imediatamente associarmos aos personagens do Maurício de Sousa ou então qualquer outro personagem infantil ou super-herói. Porém para quem conhece bastante do assunto, sabe que este conceito está muito além disso.
As histórias em quadrinhos têm a importante missão de nos apresentar uma história sob uma ótica mais visual e menos textual. Uma história em quadrinhos pode ser infantil, adulta, séria, entre outras inúmeras formas em que podemos contar e adaptar. Tudo dependerá de como o autor definir.
As adaptações mais infantis podem ficar mais associadas ao estilo cartoon. Já as adaptações de aventura, ao estilo mais conhecido como as dos gibis americanos ou até mesmo os mangás. Alguns dramas podem ser desenhados no estilo europeu, sempre tentando subliminar as narrações através de desenhos e paisagens. Como havia dito antes, que um escritor esculpe a arte com as palavras, o efeito desta vez deve ser inverso.
Agora, se o livro for uma série e tiver personagens marcantes, você pode ir além e ramificar uma revista em quadrinhos própria para tal personagem, desenvolvendo uma arte paralela. Deixe o projeto fluir.