Esta forma de adaptação funciona no mesmo esquema de uma adaptação teatral, com a diferença da mesma ser mais expressiva e a cinematográfica mais visual.
A adaptação cinematográfica do livro costuma focar nos aspectos estéticos, fotográficos e musicais de forma mais apoteótica possível. Outro detalhe é que nem sempre ele acaba se tornando fiel ao livro, porque ele acaba focando na visão pessoal de seus produtores e diretores. Por isso que muitas vezes um filme adaptado de livro decepciona tanto.
O filme adaptado de livro não pode ser comparado ao romance original. O filme é apenas uma ferramenta de franquia. Marketing puro, uma homenagem, seja como for. Existem filmes que pescam somente uma vaga ideia do que o livro queria passar. Isso explica o motivo para até mesmo autores se arrependerem de terem vendido os direitos do livro para tal adaptação.
A adaptação cinematográfica é importante para fazer o leitor se atentar à obra. Um filme pode ser mal-sucedido, mas o livro não. O livro sempre sobreviverá.

Uma caricatura não é uma pintura e tão pouco pode ser comparado a uma. A caricatura, ou então o desenho artístico, ou qualquer outro meio de expressão que identifique o original somente tem a intenção de homenagear o modelo dentro do seu limite. O filme adaptado sempre será uma homenagem à ideia original.

Noite após noite, exaustos, lado a lado,
digerindo o dia, além das palavras
e aquém do sono, nos simplificamos,

despidos de projectos e passados,
fartos de voz e verticalidade,
contentes de ser só corpos na cama;

e o mais das vezes, antes do mergulho
na morte corriqueira e provisória
de uma dormida, nos satisfazemos

em constatar, com urna ponta de orgulho,
a cotidiana e mínima vitória:
mais uma noite a dois, e um dia a menos.

E cada mundo apaga seus contornos
no aconchego de um outro corpo morno.

Por Arsenio Meira

"Eu fugi, pai. Não aguentei até o fim. Teria fim?" 


Rogério Pereira ficou conhecido no meio literário contemporâneo como o idealizador do prestigiado jornal literário Rascunho. Em seu primeiro romance ele honrou a tradição legada por LÚCIO CARDOSO. Uma família decide deixar o campo em busca de alguma esperança na cidade grande. E neste processo (também interiorizado) de imigração, um pai diabólico, com indícios de DNA nazista, uma mãe alheia, e dois jovens personagens - irmãos - submetem-se à perpétua brutalidade do pai, um psicopata, um ser doentio; sofrem os percalços de uma puberdade represada.

Como senão bastasse a perseverança das ruínas, irmanam-se ainda mais em meio a uma tragédia que cava mais fundo o abismo, que por seu turno, torna-se o ponto nuclear do romance. A partir de tal fato, a cidade grande deixar de ser uma esperança para transformar-se no exílio de cada um dos integrantes da família sem nome.Num primeiro instante, percebe-se na mudança do campo para a cidade, denominada apenas como "C", uma resistência, um traçado (breve) de luta contra a pobreza e o vazio da vida de outrora. Imigram. Todavia no comboio da imigração cada um carrega suas dores, seus suores e temores, como um membro do corpo .

O escapismo da mãe - que se entrega fanaticamente à religião, renegando os filhos a um estado de abandono - é mais uma nota digna muitíssimo bem pinçada pelo autor, neste romance que, em certo momentos, me fez custar a crer que se tratava da estreia do escritor curitibano. Novato, porta-se como um veterano; como veterano, porta-se afiado, emulando um fluxo amargo de consciência em estilhaços, aqui vivificado por meio das cartas que o filho mais velho escreve para o pai. As cartas são intercaladas com os capítulos, fixando na narrativa as revelações e o estertor que o sofrimento impõe a todos. 

E tudo isso nos dá uma ideia angustiante de que a imigração não vai estancar: nem em pleno sol do Saara ou na "escuridão, a manhã." O livro é um exemplar raro de intensidade obtida mediante a eliminação de tudo o que não esteja em consonância com o talento literário, arte, canção triste, e drama. Sim, drama. Mas sem folguedos piegas ou fumaças de pretensa poesia.

Por Arsenio Meira


"É quando a vida vase/ É quando como quase/ Ou não, quem sabe..." - Paulo Leminski

"Como é" destaca-se como uma das experiências mais ousadas de Beckett, no que concerne a violentar a linguagem até limites improváveis. Algumas pessoas que conheço acharam este livro esquizofrênico. Uma conhecida falou-me que doou o romance para a biblioteca publica. Só encontrei uma opinião positiva, ainda que moderada, a respeito tão somente deste romance, que nem sei se romance é. À falta de um nome, vai romance mesmo.

Para apresentar uma fábula sobre um tipo de existência que perdeu tanto sua forma quanto seu princípio e na qual a vida não mais progride, Beckett destrói tanto a forma quanto o princípio até então característicos das fábulas: agora a fábula destruída, a fábula que não mais segue adiante, torna-se a representação adequada da vida estagnada; sua parábola sem significado sobre o homem ocupa o lugar da parábola do homem insignificante. 

Por meio de uma escrita deficiente, amputada, mutilada, Beckett nos leva à evidência do esgotamento; ao engodo por trás das certezas:ao inóspito por trás do apreensível. Sua estrutura inusitada o afasta em absoluto de quaisquer modelos romanescos que se nos possam acudir à memória: não há pontos, parágrafos, sinais, maiúsculas ou qualquer coisa que lembre uma utilização conveniente e compreensível da língua. Há apenas fragmentos. Amontoados de palavras que se seguem num ritmo frenético, denunciando a falência de uma linguagem que se descobre incapaz de ir além, de atribuir significados últimos e duradouros, de traduzir o mundo e trazer conforto. Há, em sua prosa corrosiva e subversiva, a contínua impossibilidade de comunicação. 

Ao som da reverberação deste caos esbravejante, que se repete e renova a cada linha tecida pelo tormentoso pai de Godot, a experiência com a linguagem é levada por Beckett a seus limites mais ríspidos. Um soco na cara, na lata, sem chance de reação. Em "Como é", Beckett fez seu maior desafio ao rigor da convenção: não ofereceu história alguma, e assim o fez, creio, por entender que, naquela altura do campeonato, o ser humano já estava numa baita fria: eliminado da História, e desprovido de qualquer caminho.


Toda, mas toda história pode ser adaptada para música, novela, desenho animado, história em quadrinhos e teatro.
Por quê? Porque todas eles são histórias. E histórias são adaptáveis. Tudo depende do nível de criatividade do autor.
Eu considero o teatro a melhor forma de expressão do ator. No palco, o ator está acompanhando a reação do público. Ele se desenvolve através das apresentações. Uma encenação nunca será exatamente igual à outra.
O livro em teatro irá se concentrar mais nas emoções e reações dos personagens. Visual, características, manias, personalidades, etc. já as cenas mais complexas, que exigiriam maior interação com cenários distintos, podem então ser descritos pelos personagens.

Se você também é ator e tem um bom relacionamento com uma companhia de teatro, invista nesta experiência. Apresente o seu livro e converse sobre a possibilidade de adaptação. Será algo marcante e biográfico.

Vocês já devem ter percebido que o blog está um pouco parado e me doí o coração vê-lo nesse estado, mas estou vivenciando uma nova rotina na minha vida, de modo que estou sem tempo nem para respirar.
Saio de casa cinco horas da manhã e só estou de volta meia-noite; porque estou fazendo cursinho e trabalhando. O que não me permite pensar em postagens para o blog, o que não me permite ter um tempo para ler os livros que eu gostaria de ler e se não tem leitura, não tem resenha. Estou focando nos livros do vestibular, que leio nos ônibus e metrôs, quando não estou cochilando.

Está sendo um fase bastante cansativa. Quero que os dias dos vestibulares cheguem logo, quero estar logo na universidade. Mas enquanto isso não acontece, vou ver se consigo, pelo menos uma vez na semana, deixar algumas postagens programadas. Mas não prometo nada.

Algo que vai facilitar minha vida é o fato de eu ter descoberto que o Blogger tem aplicativo para celular. Já baixei o aplicativo. O que significa que poderei escrever as postagens de qualquer lugar. Minha vida agora é essa: baixar um monte aplicativos no celular para facilitar as coisas. Só acho que deveria existir um aplicativo do Skoob também.

É isso. Me desculpem por não ter avisado antes.

Assim como em um filme, ou em um seriado de ação ou até mesmo desenho animado, todos eles precisam ter um apelo comercial para sustentar o seu propósito publicitário. Produções cinematográficas são um catálogo ambulante de modismos e campanhas. Através deles são inseridos marcas, roupas, produtos, brinquedos, alimentos, entre outras coisas. E junto com eles, também são vendidos produtos com temática dessas produções. Assistimos uma cena de ação em um filme e logo podemos ter essa mesma experiência no game do mesmo. Ou então poder levar pra casa aquela adorável criaturinha do desenho em forma de pelúcia ou até em miniatura de vinil.
Isso tudo porque é necessário ter retorno. E todos sabemos que a porcentagem de direito autoral é muito baixa.
Os brindes temáticos de livros são uma forma de tornar a obra mais apresentável. Uma réplica do colar que a personagem usa, o logotipo do livro estampado na camisa, um chaveiro no formato da miniatura do livro, adesivos, etc.
Pesquise empresas ou artesãos que podem confeccionar esses itens e invista em uma edição limitada. E não se esqueça de tirar fotos com todos os itens junto com o livro.