A blogueira Maria Ferreira, responsável pelo blog "Minhas Impressões", que também tem página no Facebook foi contemplada pelo Conselho Internacional dos Acadêmicos de Ciências Letras e Artes (CONINTER) com o Mérito Literário, em reconhecimento pelo farto trabalho acadêmico, cultural e literário apresentado e divulgado na internet. Maria Ferreira é leitora assídua, autora de uma lista de resenhas de qualidade, além de colaboradora cultural, incentivando e fazendo cobertura de diversos eventos literários. O título tem registro e reconhecimento no Ministério da Cultura.

Leo Vieira

Sempre falo que escrever é coisa séria. Não importa que seja uma ficção ou um estudo acadêmico, mas o escritor precisa fazer o leitor viajar nas palavras. As obras bem trabalhadas são marcantes e permanecem na imaginação dos leitores.
Para isso, o escritor precisa ter uma rotinha de pesquisas, análises, comparações, até ter estrutura para realizar uma boa história e contá-la da melhor forma possível.
Tudo funciona como uma receita de bolo. Tudo é baseado com ingredientes, porém alguns deles são melhores e a combinação podem resultar em uma iguaria apetitosa.
Uma história bem preparada vai provocar "apetite literário". Desenvolva a personalidade dos personagens, faça boas descrições dos cenários, revele curiosidades sobre o local, enfim, faça a obra se tornar uma verdadeira viagem.

E quando for se aventurar em um novo texto, procure tornar o romance o mais distinto possível. Os leitores gostam de surpresas.

Vi essa tag no blog Álbum de Leitura e fiquei com vontade de fazê-la.

A tag consiste em dar algumas informações sobre os livros na sua estante do Skoob. Vamos conferir?

01. Qual foi o último livro que marcou como "Lido"?
O Cavaleiro Inexistente, do Italo Calvino.

02. Qual ou quais livros está lendo no momento?
Ana Karênina, do Leon Tólstoi.
Memórias de Um Sargento de Milícias, do Manuel Antônio de Almeida.

03. Qual foi o último livro que marcou como "Vou ler"?
A Dor, da Marguerite Duras

04. Que livro planeja ler em seguida?
Algum que esteja na lista de livros da Fuvest.

05. Usa o sistema de estrelas para classificar livros?
Uso.

06. Estabeleceu alguma meta de livros para ler esse ano?
Sim, eu queria ler 100, mas do jeito como vão as coisas, vou ficar muito contente se conseguir ler 50.

07. Tem muitos livros na aba "Desejados"?
É... 35

08. Qual livro planeja comprar em breve?

09. Tem alguma citação favorita?

"Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu".
-Do poema Consolo na Praia, do Carlos Drummond.

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É hora de se tornar um operário das palavras. Um operário não tem dia apropriado ou ruim. Um operário precisa trabalhar, cumprir regras e cotas. Esqueça essa pseudo-aparência de modismos de que um escritor apenas publica periodicamente. Quando um leitor termina um livro seu e depois não encontra mais nada, ele parte para outro autor. E se esse autor tiver muitas obras, o leitor se dedicará mais. E se esse autor tiver em constante ciclo de publicação? Aos poucos o autor ganhará mais espaço na vida do leitor.
Um escritor precisa voar alto. A sua visão tem que focar múltiplas dimensões. Por que lançar um livro somente uma vez por ano? E por que ficar somente focado em um livro? Está na hora do escritor fazer mais coisas de escritor. Coisas que vão além da escrita.
O escritor precisa demarcar seu território literário e acadêmico. Existem outros
públicos que precisam acompanhar suas obras e seus conselhos, como este. Escritor precisa ser colunista, blogueiro e ter um canal direto no campo virtual.
Após o seu território demarcado, é hora da semeadura. O escritor precisa mergulhar e plantar muitas sementes literárias. Projetos culturais, literários, editoriais, musicais, teatrais, entre outros, para fazer com que a sua arte voe junto com sua criatividade.
Faça com que o público te acompanhe. Não fique esperando sentado.
E para quem de certa forma já me acompanha, estou desenvolvendo, além dos projetos culturais literários, uma grande quantidade de livros de ficção, técnicos, religiosos, infantis (com ilustrações também de minha autoria), peças de teatro, músicas para os personagens, jornais, revistas em quadrinhos e outras criações para todos os públicos.
Escolha a sua arte e voe também.

Se eu te dissesse o meu amor...
(Olha o mar como é vasto! Ouve o mar como geme!)

Se eu te dissesse o meu amor!
(É meu braço que treme ou teu braço que treme?)

Se eu te dissesse o meu amor?
(Olha como o céu esplende! Olha como o sol aquece!)

Se eu te dissesse o meu amor...

Mas teu corpo estremece... A minha alma estremece
como se eu te dissesse
o meu amor...

Por Arsenio Meira

O Romance dos romances contemporâneos  

Um romance poderoso e arrebatador sobre uma escrivaninha roubada, que guarda segredos e se torna uma obsessão para os que a possuíram. Personagens diversos, verborrágicos (no melhor sentido do termo) permeiam os espaços descontínuos da ação , do espaço e do tempo. Não sabemos bem para onde vamos. Krauss, jovem romancista cujo talento despertou a atenção do genial Philip Roth, construiu um labirinto fictício impressionante. O livro pode soar indigesto para alguns e não há qualquer demérito nisso. Afinal, " o leitor é o sujeito mais livre do mundo", como decretou definitivamente o nosso Nelson Rodrigues. 

O romance não se organiza cronologicamente; personagens entram e saem a todo vapor, e consequentemente, a trama, episódios temporais e as cenas mudam a casa capítulo. Obviamente, todo o livro reclama atenção. Esse pede mais. Porém ,retribui mais. No final, tudo se justapõe, os acontecimentos se aproximam e o prêmio de Nicole Krauss, dentre outras virtudes, encontra-se na ausência completa de malabarismos para o desfecho. Não há uma linha sequer para situações inverossímeis. Uma romancista americana solitária passa vinte e cinco anos escrevendo numa escrivaninha que herdou de um jovem poeta desaparecido no porões demoníacos da polícia secreta de Pinochet. Certo dia, uma jovem que se diz filha deste poeta aparece inusitadamente, com o propósito de recuperar a peça. A vida desta escritora transtorna-se por completo. No outro lado do oceano, em Londres, um homem descobre um terrível segredo sobre a mulher com quem vive há quase cinquenta anos. E as páginas começam a fluir e cada capítulo é um labirinto, uma saga de dor, perda e poesia. 

Em dado momento, estamos em Jerusalém, onde um comerciante de antiguidades reconstitui lentamente o escritório do pai, pilhado pelos nazistas em Budapeste, em 1944. Estes mundos tem como âncora a escrivaninha de enormes dimensões, que exerce um grande poder, como se fora o próprio destino, sobre quem a possui ou quem dela se desfaz. Na mente daqueles a quem pertenceu, representa tudo o que desapareceu no caos do mundo - filhos, pais, povos inteiros, civilizações.

"A Memória das Nossas Memórias" é uma história que empareda o leitor entre duas perguntas: O que é que transmitimos aos nossos filhos e como é que eles absorvem os nossos sonhos e perdas? Como podemos responder ao desaparecimento, à destruição e à mudança? As perguntas encontram respostas, com espontaneidade, ainda que a dor e solidão andem fielmente de braços dados, colhidas pela ventania que o livro parecer jorrar nos olhos do leitor. A sensação é de espanto, pois as palavras espancam todo e qualquer significado estéril. É um romance que aborda tudo. Formação, vida, destino, amor, abandono, remorso e solidão. E, se o estilo adotado por Nicole Krauss é um tanto quanto difícil no começo, essa dificuldade se suaviza com o passar das páginas. Foi o que eu senti. 

Se o romance não convoca as bordas e nem superfícies, demite a pretensão de inovar, posto que inova per si, mediante a inauguração de uma lição dada no escuro das imemoriais relações humanas, sempre tão vulneráveis, a ponto de serem desenhadas pelo destino de uma peça (a escrivaninha) onde comumente os escritores manejam sua pena. E por meio dela desafiam o mundo e refletem as pessoas, demarcam a geografia, e nos dão a conhecer intimamente os caminhos e o descaminhos que se arquivam na memória de quem se sabe precário e demasiadamente... humano. 

Quem me idicou para fazer essa tag foi a Jéssica Neves, do blog Que Nerdisse Alice, há muito tempo atrás, mas antes tarde do que nunca, né?

A tag consiste em responder no papel algumas perguntas, fotografar, postar e marcar 3 ou 5 blogs pra fazer também.

1- Qual é o seu nome?
2- URL do seu blog:
3- Escreva: "A raposa marrom pula sobre o cão preguiçoso."
4- Citação favorita :
5- Música favorita (no momento) :
6- Cantor/banda favorito (a) (no momento) :
7- Diga o que quiser.

Como já é sabido, eu sou do tipo rebelde e não vou indicar outros blog para fazer porque prefiro deixar que o pessoal se sinta à vontade para fazer.

PS: não reparem na minha letra, que está horrível!





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Há alguns dias atrás eu fiz uma postagem para divulgar o Circuito Literário Recicla Leitores, que aconteceu no dia 09, em São Gonçalo, Rio de Janeiro.

Foi um evento que eu gostaria muito de poder ter ido porque estariam presentes autores que eu admiro muito e mantenho amizade. Dois deles, são o escritor Leo Viera, que é colaborador aqui no blog, é meu amigo de longa data e é uma pessoa fantástica. E o escritor Lucinei Campos, que lançou seu livro, Lavínia e a Árvore dos Tempos, recentemente, em junho desse ano.

O Leo eu conheci em detrimento do livro, o Lucinei eu também conheci em detrimento do livro, mas em uma situação diferente, foi pelo Skoob, antes da publicação do livro dele. Então, eu meio que pude acompanhar o processo da publicação antes, durante e depois. O que faz com que eu tenha um carinho muito grande não só pelo livro, mas pelo autor também.

Enfim. Mas como eu não pude estar presente porque eu moro em São Paulo, eu pedi para os autores citados tirarem uma foto juntos e me mandarem. E não é que eles tiraram mesmo? São uns amores. Aqui em baixo estão as fotos.

Eu fico encantada e morrendo de tristeza por não poder ir nesses eventos que acontecem no Rio e que reúnem autores que eu sou fã. Imaginem um evento em que esteve presente o Leo e o Landulfo Almeida, autor de "As Duas Faces do Destino" e que eu tive o imenso prazer de conhecer porque ele veio em um evento aqui em São Paulo no começo do ano; e depois imaginem um evento em que esteve presente o Lucinei e o Landulfo.  Agora imaginem um evento em que os três estarão presentes? É de matar do coração. Este último evento ainda não aconteceu, mas se vier a acontecer, que seja aqui em São Paulo!

O que esses três escritores têm em comum além de serem escritores? Eles são autores parceiros do blog e cada um, à seu modo, tem o meu carinho, minha admiração e meu desejo de sucesso.

Da esquerda para a direita: Leo e Lucinei.

Este é um livro pequenininho, de bolso, publicado pela editora Brasiliense. Tem apenas 89 páginas.
Por meio de quatro capítulos, a autora, Betty Milan, tenta colocar em palavras a definição do amor como sentimento. Eu digo "tenta", porque definir o que é amor é uma tarefa complicada. Me faz lembrar das vezes em que me perguntavam "O que é o amor para você?" e eu me sentia incapaz de colocar em palavras algo que só se pode sentir.

A título de exemplo, a autora se vale de histórias de amor conhecidas. Cita algumas da mitologia grega, como a de história de Narciso e a de Eros e Afrodite. E também cita a história de Xerazade e o sultão Xariar, em Mil e Uma Noites. Além desse artifício, a autora também se vale de citações de célebres escritores. Dentre eles encontramos nomes como Stedhal, Ovídio e o maior poeta de todos os tempos, Drummond.

No final, ela indica alguns livros que vai nos ajudar a entender este sentimento. Dentre eles destaco: O Banqute, Platão; A Arte de Amar, Ovídio; Do Amor, Stendhal e Fragmentos do Discurso Amoroso, de Roland Barthes. Livros que já estão na minha lista de desejados.





Todos nós já passamos por isso, principalmente na época escolar. Quantas vezes não tivemos que ler um livro chato, enfadonho e indigesto somente por se tratar de uma imposição de tarefa? Nem sempre estamos preparados para isso.
Acontece também que nós precisamos desenvolver o nosso senso crítico e também de interpretação. E isso se aprende somente em literaturas mais difíceis, como as que nos são recomendadas desde a época da escola. E o aprendizado é uma verdadeira pinça para desatar os nós do aprendizado obscuro.
A partir do momento em que nos entregamos a um livro chato, temos dois dilemas: um é tentar decifrar o que o autor quer nos contar com aquilo. O outro é como que iremos conhecer o autor.
Cada autor tem a sua forma de contar a sua história. É desta forma que um autor se consagra, seja qual obra for. Isso faz uma grande diferença. As histórias complexas nos estimulam no senso crítico e de aprendizado, e desta forma, aprendemos a andar junto com o raciocínio do escritor.
Eu já comentei certa vez de que não existe piada ruim e sim piada mal contada. No caso dos livros também. Existem livros difíceis, mas se você se desenvolver, irá descobrir coisas preciosas que jamais poderia imaginar que encontraria em uma leitura cansativa.
Tudo funciona como uma arte de escavar um terreno acidentado em busca de joias brutas, porém preciosas com a devida lapidação. Então prepare a mente e decifre. É hora de turbinar a sua imaginação.

Por Arsenio Meira

"Estava só em meio a um silêncio monstruoso, só e livre, condenado a decidir-se sem apelo possível, condenado à liberdade para sempre."

O existencialismo preconiza, em linhas gerais, que você é o que você faz, sua persona é o conjunto de seus atos; ao homem é defeso jogar a culpa em nada e em ninguém, tampouco atribuir sua miséria à falta de oportunidades. 

O homem não pode pensar que tudo está predeterminado a ele, muito pelo contrário, até um covarde pode se tornar um herói, se houver um esforço, um engajamento para esse objetivo. Por tais razões, e mesmo que não seja o maior ou mais importante filósofo do século XX, Sartre é provavelmente o mais famoso. Dono de uma obra de tamanho colossal, Sartre era um escritor prolixo e compulsivo: suas maiores obras têm em média algumas centenas de páginas. Além disso, nunca couberam no registro estritamente filosófico: romances, contos, ensaios e biografias também estão entre seus textos mais famosos. Não bastando ser um ávido escritor, Sartre também era figura indiscreta e protagonizou, por décadas, o cenário intelectual europeu: sem a figura de Sartre, o existencialismo não teria tomado a proporção que tomou no cenário cultural da Europa na primeira metade do século XX.

Sua personalidade excêntrica, seu histórico de abuso de substâncias químicas e sua controversa relação amorosa com sua parceira Simone de Beauvoir são, até hoje, tema para inesgotáveis textos biográficos que buscam, na investigação dessa unidade entre vida e obra,entender o acontecimento que foi a passagem de Jean-Paul Sartre pelo palco da cultura ocidental no século passado. Evidentemente o indivíduo guarda uma certa liberdade que em determinado sentido é integral: pode responder ao chamado da mobilização, pode passar à Suíça ou suicidar-se. Ele é livre em relação a uma problemática que não pode elidir. Esta noção permitiu a Sartre aprofundar seu pensamento no que diz respeito à liberdade. Certamente, cada homem permanece sempre livre, mas não há diante dele - como acreditou Mathieu, um dos protagonistas de "A Idade da Razão"- este vago e vazio de indecisão. Há uma situação precisa, que é aqui a ameaça da guerra. Sartre acreditava que cada um precisava encontrar a verdade para si mesmo, sem seguir padrões universais. Ele prezava a liberdade de escolha; tomar decisões capazes de criar sua própria natureza. A escolha é inevitável.O livre arbítrio é um direito das pessoas, e uma vez que Deus traça nosso destino, se o homem é pré-determinado, não existe liberdade, pois não se tem o direito de mudar o destino.

A Idade da Razão, que figura ao lado de “Sursis” e “Com a Morte na Alma” como parte da trilogia "Caminhos da Liberdade", aprofunda e investiga eminentemente as questões individuais. O existencialismo de Sartre é ateísta, percebe-se isso através do que ele nos diz sobre as escolhas. Se Deus escolhesse pelos homens, então não haveria angústia. O existencialismo é a doutrina da ação, pois o homem decide e faz escolhas o tempo todo. O homem existe, caminha, se diluí, e enquanto procura invariavelmente transcender a própria subjetividade, percebe-se incapaz de fazê-lo. O fim último das escolhas humanas, assim sendo, é a liberdade. Não há como fugir da liberdade. O homem está condenado a ser livre. Livre para fazer escolhas, e inventar-se através delas.

Todas as vidas gastei
para morrer contigo.

E agora
esfumou-se o tempo
e perdi o teu passo
para além da curva do rio.

Rasguei as cartas.
Em vão: o papel restou intacto.
Só os meus dedos murcharam, decepados.

Queimei as fotos.
Em vão: as imagens restaram incólumes
e só os meus olhos se desfizeram, redondas cinzas.

Com que roupa
vestirei minha alma
agora que já não há domingos?

Quero morrer, não consigo.
Depois de te viver
não há poente
nem o enfim de um fim.

Todas as mortes gastei
para viver contigo.