Este livro conta a história de uma família composta pela mãe, pelo pai e por seus três filhos: uma menina e dois meninos. E como membros à parte, a empregada e seu filho. Dito isto, até parece que o livro vai retratar a história de uma família comum e é aí que acontece o engano, pois de comum esta família não tem nada. Pelo menos, não quando é Hatoum o autor da história, pois ele dá outras proporções ao caso e sua narrativa é muito envolvente.

O livro é narrado em primeira pessoa pelo filho da empregada e durante muito tempo ele é só isso: o filho da empregada. Seu nome só vai aparecer já quase no final. E esse é uma detalhe importante. Está relacionado com o questionamento: Quem eu sou? Como os outros me veem? Como eu me sinto?

Pode parecer que a questão central desse livro é a desavença que há entre os dois irmãos, que são gêmeos: Yakub e Omar.
Yakub se ressente por ter sido mandado para o Líbano para morar com outros  familiares enquanto seu irmão, ficou no Brasil com os pais. Além disso, Omar é o preferido da mãe. E essa predileção afeta muito a relação entre os três. Numa festa, Omar em um ataque de ciúmes atacou o irmão e lhe deixou uma cicatriz no rosto. Desse dia em diante, as coisas nunca mais foram as mesmas.

Halim, o pai, também é um personagem importante. Ele nunca quis ter filhos, mas logo após a sua esposa, Zana, perder o pai, o relacionamento deles foi decaindo e para fazê-la mais feliz não viu outra saída senão lhe dar os três filhos que ela desejava. Dois primeiros vieram de uma vez só, gêmeos e por última veio uma menina, Rânia.

 A forma como Zana trata Omar, é irritante. Ela é uma mãe extremamente protetora, capaz de defender o filho mesmo sabendo que ele é o errado. Ela o mima demais e isso cooperou para ele ser uma pessoa detestável. Ele foi o personagem que eu mais odiei. Se eu pudesse dar uns tabefes na cara desse garoto eu dava. É uma absurdo as coisas que ele faz e a forma como a mãe o defende.

Como eu ia dizendo, pode parecer que o principal nesse livro é a relação conflituosa dos irmãos que não se dão bem, mas na verdade, o ponto central desse livro é ao desejo do filho da empregada de saber quem é seu verdadeiro pai.

Dois Irmãos é um livro ambientado em Manaus, o que de certa forma coopera muito para a forte presença de regionalismos. O que me incomodou um pouco, porque eu, moro de São Paulo, não tenho como saber o significado de muitas palavras, não faz parte da minha cultura... mas mesmo assim, não é algo que chegue a diminuir a qualidade da obra. Mais do que recomendo.

O autor é considerado um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos. Ele nasceu em 1952, em Manaus. Foi professor de Literatura na UFAM (Universidade Federal do Amazonas), seus livros foram traduzidos para outros países e o autor ainda ganhou diversos prêmios.

Este  livro é o seu segundo,  publicado em 2000, dez anos após o primeiro de 1990, "Relato de um certo Oriente" e também o mais famoso dele.

3 Comentários

  1. Oláá...
    Não conhecia esse livro, mas adorei conhecê-lo! Gosto de livros com esse tipo de questionamento, quem sou?... Valeu pela dica!
    Beijinhos ;**

    Leitora Online

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  2. Oi, Maria! Tenho muita curiosidade de ler este livro. Ouvi falar muito bem e sua resenha me deixou ainda com mais vontade. Um dos meus projetos para 2014 é conhecer novos autores e Milton Hatoum já estava na lista. Espero ler ainda este ano :) Parabéns pela resenha!

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  3. Não conhecia esse livro, ai vasculhando vi a capa e gostei do titulo. Gostei da resenha e dos comentários também.Gosto de livros com conflitos familiares, há sempre um crescimento e conflitos que podemos parar para analisar,ainda mais se a historia mostra ter um foco e se descobre outro. Momentos de reflexão sao sempre validos.
    Parabéns pelo blog.

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