Ano passado finalizei o ano com 63 livros lidos e ousadamente planejava ler pelo menos 100 esse ano. Mas me esqueci que este seria ano de vestibular e fracassei gloriosamente nessa meta. Até comecei o ano lendo algumas coisas, mas no segundo semestre não teve jeito, ou eu lia ou estudava e estudar foi minha prioridade, apesar de ter que dividir o tempo com o trabalho. Deixar de ler e ter renunciado muitas outras coisas ao longo do ano certamente será recompensado: eu vou cursar Letras e vou poder dar um jeito nessa bagunça que é a minha vida.

Finalizo o ano com apenas 34 livros lidos:

1- "O Barão nas árvores''- Ítalo Calvino;
2- "Água para elefantes"- Sara Gruen;
3- "O grande Gatsby"- F. Scott Fitzgerald;
4- "Eu, Robô''- Isaac Asimov;
5- "2001 Uma Odisseia no Espaço"- Arthur C. Clarke;
6- "Vida e proezas de Aléxis Zorbás"- Nikos Kazantizákis;
7- "Passou, já era"- Susan E. Hinton;
8- "O Projeto Rosie''- Graeme Simsion;
9- ''Outsiders, vidas sem rumo"- Susan E. Hinton;
10- "O visconde partido ao meio"- Ítalo Calvino;
11- "O Príncipe"- Maquiave;
12- "A Seleção"- Kiera Cass;
13- "O que é amor"- Betty Milan;
14- "Quarto de despejo- diário de uma favelada"- Carolina Maria de Jesus;
15- "Dois irmãos''- Milton Hatoum;
16- "O amante"- Marguerite Duras;
17- "O amor natural"- Carlos Drummond de Andrade;
18- "Se um viajante numa noite de inverno"- Ítalo Calvino;
19- "Mesa para dois"- Fábio Moon e Gabriel Bá;
20- "Muchacha- Laerte;
21- "A elegância do ouriço''- Muriel Barbery;
22- "A morte de Ivan Ilicht''- Lev Tolstói;
23- "Muito prazer"- Chacal;
24- "O retorno do jovem príncipe''- A.G. Roemmers;
25- "Em alguma parte alguma"- Ferreira Gullar;
26- "A brincadeira"- Milan Kundera;
27- "Minha metade silenciosa"- Andrew Smith;
28- "O cavaleiro inexistente"- Ítalo Calvino;
29- "As esferas de Medeia"- Maickson Alves;
30- "Azaleia vermelha"- anche Min;
31- " Traçados diversos";
32- "Viagens na minha terra"- Almeida Garrett;
33- "Memórias de um sargento de milícias"- Manuel Antônio de Almeida;
34- "Memórias póstumas de Brás Cubas''- Machado de Assis.

No caminho para o trabalho, vi que estava tendo uma feira de livros. Mesmo estando com pouco dinheiro, fui lá dar uma olhada e fiquei surpresa com o quão baratos os livros eram.

Comprei dois livros da Alfaguara a R$10,00 cada.

Este evento é organizado pela Companhia Livros na Cidade, que tem como objetivo promover o hábito de leitura partindo do pressuposto que uma das barreiras que impedem as pessoas de lerem são os altos preços do  livros, então eles promovem eventos para levar livros de qualidade por preços populares. E isso não só em São Paulo capital, mas também em cidades do interior e pelo Brasil todo.

Aqui em São Paulo já estive presente na feira de livros que aconteceu no Largo da Batata, na Faria Lima e nessa, que vai até dia 23, no Largo da Ana Rosa.

Para mais informações, clique aqui.

Para conhecer a página no Facebook, clique aqui.

E cá estou eu com meus dois livros: 


Para 2015, vem mais um blog exclusivo dedicado aos QUADRINHOS. Serão mais de 60 textos publicados periodicamente sob o ponto de vista acadêmico para quem quer se especializar no mercado artístico e de licenciamento.
O leitor acompanhará dicas notáveis, com base em pesquisas aprofundadas e comparadas sobre conceitos, elaborações, desenvolvimentos, originalidade, exclusividade, temáticas, roteiros, apresentações, inserções comerciais, lançamentos, narrativas, cores, adaptações, projetos, administração, modelos, etc.
Aguardem...


Leo Vieira



O projeto Livro na Faixa é um projeto de incentivo a leitura, no qual os usuários têm a liberdade de pegarem livros nos terminais de ônibus participantes. Não é preciso fazer cadastro, nem carteirinha, nem nada. Mas se a pessoa quiser devolver o livro depois que ler para possibilitar que outras pessoas possam ter a mesma oportunidade, é uma boa. Além, disso é possível fazer doações tanto de livros nacionais quanto internacionais.

Fiquei sabendo desse projeto pelo Jornal do ônibus, um tipo de informativo que fica exposto dentro dos ônibus daqui de São paulo por um certo período. Normalmente dez dias.
Quando eu entrei no ônibus e vi este informativo, logo quis tirar uma foto para postar aqui no blog, mas fiquei com vergonha porque tinha muita gente olhando. Fui adiando, até que um dia eu peguei um ônibus quase vazio e sem ninguém por perto para ver que eu estava tirando foto.

Aqui em São Paulo, só não lê quem não quer. Porque projetos de incentivo a leitura é o que não falta nessa cidade. Temos Ônibus- Biblioteca, as bibliotecas municipais, máquinas de livros nas estações de metrô...

Para mais informações, clique aqui.


Perdemos um grande artista e também escritor, que nos deixa uma grande lição e conteúdo cultural artístico.
Escrever é um grande dom, uma arte para poucos. São muito poucos os que realmente conquistam tamanha notoriedade.
Qual seria o segredo do texto que conserva a graça e genialidade ao longo do tempo? São muitos.
Pode-se dizer que um texto pode durar na sua graça se for simples. O humor textual deve ser rápido e prático, onde todos podem captar e achar graça. E sempre que for lê-lo, vai continuar se divertindo.
É o exemplo das fábulas. Tantos clássicos que continuam entretendo crianças e adultos e outras gerações de crianças. Uma boa história pode ser contada e recontada várias e várias vezes e continuará sendo especial.
O caráter também fica expresso nas obras do artista. Portanto, seja também humilde e as suas obras lhe engradecerão.

Leo Vieira

Nos dias 22 e 23 de novembro de 2014, aconteceu em São Paulo, no Memorial da América Latina, um dos maiores eventos voltados para a população negra: Flink Sampa AfroÉtnica.

O Evento contou com a presença de ilustres convidados. Entre eles, Cristiane Sobral. Autora que lançou em 2011 o livro de poemas "Não Vou Mais Lavar Os Pratos". Livro que fez muito sucesso e já está indo para a terceira edição. Para a Flink, ela levou seu lançamento mais recente: "Só Por Hoje Vou Deixar O Meu Cabelo Em Paz". Livro que foi lançado agora em 2014.  Já aproveitei para adquirir o meu antes que acabe.


Além da Cristiane Sobral, que para mim era a grande atração da festa, havia também stands de editoras. Duas delas são a Zumbi dos Palmares e a Companhia das Letras. Nas quais comprei mais algumas coisas. Na Zumbi comprei uma eco- bag do evento com a Carolina Maria de Jesus estampada, comprei o livro dela, "Quarto de Despejo", este para dar de presente e na Companhia comprei o livro "12 Anos de Escravidão", que estou com muita vontade de lê-lo, apesar de saber que não vou pode fazer isso antes de janeiro.




Fiquei muito feliz de poder ter participado do evento e espero ano que vem poder estar lá novamente.

O escritor pode trabalhar em diversas plataformas sempre em seu mesmo ofício de criar, elaborar, formular e escrever muitos textos em vários segmentos e temáticas. O escritor publicitário e/ou jornalista pode escrever diversos textos para compor uma grade de programação na televisão ou rádio. Páginas de internet, redação de jornal, entre outros textos de apresentação comercial também são fartamente atualizados com as criações do profissional literário.
Um dos detalhes onde pode ocorrer divergências comerciais é quando um escritor é contratado para desenvolver trabalhos onde não confia ou não tem afinidades. Mas como em todo trabalho, nem sempre o profissional aprecia a sua rotina. A questão do escritor passa a ser mais delicada porque ele precisa passar credibilidade e nessa hora quem fala é o "Eu" profissional da empresa, através do escritor contratado.

No caso da política, como em todo departamento de marketing, o profissional terá que desenvolver um bom histórico do cliente, que é o candidato e também o seu partido. Quando a oportunidade surgir, procure que seja com um partido que já tenha afinidade e com candidatos que já tenha um certo conhecimento. Seja o mais honesto possível e cuidado com alianças que possam obstruir seu caminho literário para futuros clientes.

Leo Vieira

O roteiro empregado em gibis e tiras é menos textual e mais visual. Por esse motivo que a ação e o humor devem ser mais desenvolvidos, porque a narração passa a ser um pouco desnecessária, dependendo do enredo.
O roteiro de tira funciona como uma piada. A piada deve ser rápida e prática, sem rodeios, porque fará algo que conhecemos no teatro como "golpe cênico", que é quando uma cena não precisa ser esmiuçada. A plateia capta e reage na hora (com risos, surpresa ou emoção), demonstrando entendimento.
Exemplo: qualquer cena engraçada, trocadilho ou pensamento filosófico pode ser transformada e adaptada para uma tira. Tudo dependerá da praticidade e criatividade.
Já o roteiro para quadrinhos exige enredo. Precisa-se pensar no que você quer focar ao elaborar a aventura de humor ou de ação para o seu personagem e os seus coadjuvantes.
Uma dica para se ter muita criatividade e desenvolvimento para os seus personagens é desenvolver a biografia dos personagens e a trama em volta. Há mais de 80 anos que a Família Disney se estende e por centenas de milhares de histórias em quadrinhos. Isso porque todos nós conhecemos o que acontece em sua "civilização". O Mickey, apesar de ser um camundongo antropomórfico, é o típico jovem adulto americano, com seus problemas pessoais como um emprego modesto, pouco dinheiro, um noivado atrasado, os sobrinhos para tomar conta, entre outros eventuais problemas. Junto com isso, ele também tem bons amigos e alguns inimigos que são necessários para que ele tome decisões inteligentes. Esse arquétipo também é empregado no Donald, na Minnie e na Margarida (os três também são jovens adultos com noivado, emprego simples, pouco dinheiro e sobrinhos sob suas responsabilidades).
Outro exemplo são os super-heróis dos quadrinhos. Se você perceber pelo menos 98% deles são órfãos. O impacto da tragédia e da perda que os motivam a tomar uma atitude punitiva a favor da sociedade, sempre com um apelo extravagante. O vilão que transforma o herói. Quanto mais o herói ficar atrelado à problemas pessoais, como a família, emprego e relacionamentos, mais humanizado ele se tornará, ganhando identificação e caindo no gosto dos leitores. E para dar mais construção e desenvolvimento, é só investir na biografia dos personagens coadjuvantes, com drama e humor na medida certa.

Quando for desenvolver roteiros para uma série de personagens, seja infantil com humor ou jovem com ação ou até mesmo adulto com drama, primeiramente elabore toda a biografia do grupo de personagens, além da história do local. Desta forma, qualquer temática fluirá naturalmente para desenvolver qualquer tipo de história.

Leo Vieira


Este é o modesto conselho que a maioria dos grandes empresários deixam para quem quer se aventurar no mercado cultural, artístico e/ou literário. Muitas vezes podemos ser pegos de surpresa e não ter um material suficiente para o momento de um possível contrato.
Quando um livro é muito bom, a tendência é que o leitor adquira o máximo possível.
Muitos atendentes de livrarias revelam que há clientes que entram para comprar uma lista de livros de um mesmo autor somente pelo fato de ter gostado de uma das obras. Nesta mesma linha, o repertório musical de um artista também passa a ser pesquisado e o fã de um filme passa a colecionar uma série de produtos relacionada a série.
A intenção não é despertar uma megalomania desenfreada ao escritor, mas sim abrir a mente para uma ótica mais comercial e abrangente onde esse alvo cultural possibilita. A arte pode ser transmutada para muitas outras plataformas.
Não adianta você criar um personagem e somente ter uma dúzia de tiras e ilustrações. Ou então um livro inacabado, ou uma música somente incubada pela melodia ou refrão. Personagens de quadrinhos devem ter centenas de tiras prontas, um escritor deve ter dezenas de livros preparados, um músico deve ter um repertório imenso reservado, etc.

Os clientes não vão querer ouvir desculpas e sim soluções. Quando for assinar o seu primeiro contrato, leia todas as cláusulas e tenha certeza de que é capaz de cumpri-las antes do prazo.

Leo Vieira

Eta, que o Enem chegou! Eta, que o Enem passou! E o que fica desse Enem, por enquanto é: Que o que a vida quer da gente é coragem. Como pode-se constatar na imagem abaixo:


Estava disposta a não corrigir minha prova agora e só corrigir quando saísse o gabarito oficial. Mas não me aguentei e fiquei pensando que o que for de ser será, já que agora já não há mais nada a ser feito. E lá fui eu atrás de gabaritos extraoficiais. Pra quê? Me respondam pra quê !? Agora não sei se entro em depressão agora ou se deixo para entrar em depressão quando sair o gabarito oficial. Vou ficar com a segunda alternativa e esperar ansiosamente pelo dia 12.

Agora é continuar minha rotina de estudos para o vestibular da Unesp, dia 16 e a Fuvest dia 30.

Ah, ia esquecendo. Já comentei aqui que conheci pessoalmente uma pessoa que conheci aqui na blogosfera. Moramos pertíssimo e descobrimos que íamos fazer o Enem no mesmo local. Hoje chegamos mais cedo, ficamos conversando e voltamos juntas. Claro, tiramos uma foto para marcar esse momento. Ela, a Márcia, é uma pessoa que me ajudou muito. Me emprestou um livro que faz mais de um ano que estou com ele, quando fui em sua casa, ela me emprestou uma blusa de frio na volta e ainda me emprestou um dos livros que está na lista da Fuvest: "A Cidade e as Serras". A Márcia é mesmo uma fofa. Corações para ela.


Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo. 

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração 
que nem se mostra. 

Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
— Em que espelho ficou perdida 
a minha face? 

Por Arsenio Meira

"Antes soubesse eu / o que fazer com estrelas na mão."

Hilda Hilst começou a publicar poesia em 1950, aos vinte anos de idade, ainda estudante na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.O primeiro livro,"Presságio", e os seguintes, "Balada de Alzira" e "Balada do festival, " anteriormente excluídos das reuniões de poesia da autora, ressurgem no presente volume. O que pode levar o leitor a conjecturar que, os primeiros lances de sua poesia estão mais para o ensaio visando voos futuros do que propriamente a realização esteticamente efetiva das marcas centrais de sua escrita. Não é assim.

Hilda Hilst sempre guardou uma posição de afastamento em relação aos principais movimentos do cenário das artes nacionais. Ela passa a impressão de que sempre permaneceu absorta em sua singularidade. O início de sua produção poética já mostra uma dicção segura. O livro gira praticamente todo em torno da necessidade e ausência do amado. Da falta, do vazio que deveria ser preenchido por uma comunhão no amor, são tecidos os poemas. A poeta apresenta-se mais uma vez como aquela que faz do amor o objeto primeiro de seu canto, associado à passagem do que é perecível e à busca do sempre inalcançável, que a um só tempo escapa a toda a procura e cria um movimento incessante.

A condição de isolamento do poeta e uma poesia que não faz concessões à convenções, embora permaneça muitas vezes, diferentemente de outros modernos, afeita às estruturas do pensamento discursivo, pretendem permitir também o escape da capacidade de absorção que ameaça as obras de arte na sociedade de consumo, quando a possibilidade de se provocar estranhamentos já não mais existe. Ao recusar o elogio da rotina ou das promessas da sociedade do espetáculo, mostrando o desconforto da vida, o grotesco do homem e de sua condição, um universo de dores e angústias, a poesia de Hilst reitera a repulsa a um mundo vulgar e banal. 

Ao contrário do que faz a indústria do entretenimento, baseada no princípio de satisfação do cliente, a autora apresenta-nos os difíceis estados de privação. Contrapondo-se a toda a facilidade do espetáculo, a obra poética da autora comprova a sua radicalidade moderna. Ao invés do apaziguamento, o que resta aqui é a angústia. Angústia como índex do mais límpido estatuto poético.

Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

Essa semana, fui pela primeira vez no Centro Cultural de São Paulo. E tive que acalmar meu coração, porque de modo contrário,  teria um ataque cardíaco lá dentro. O motivo: A biblioteca. É enorme e tem uma grande diversidade de títulos. Desde livros da literatura russa, oriental, americana... até livros técnicos. Não deu para ver todos os livros, porque eram uma infinidade, mas penso que qualquer livro que se procurasse lá era capaz de ter.

Eu fiquei tão encantada. Muitos dizem que o paraíso para eles são as livrarias, já para mim, são as bibliotecas. Eu piro dentro de bibliotecas.
E lá estava super cheio. A grande parte das mesas, que eram muitas, estavam cheias de gente. As pessoas vão lá estudar, fazer trabalhos, relaxar...
Eu quis tirar algumas fotos para vocês, mas fiquei com vergonha, dado o tanto de gente que tinha lá. Mas talvez eu vá lá pelo menos uma vez por semana para estudar e mesmo quando passar os vestibulares, planejo frequentar lá com mais frequência, até porque é cerca de meia hora do meu trabalho, e aí eu tiro algumas fotos.

Sei que foquei mais na grandeza da biblioteca, mas vale ressaltar também que o espaço é o que o nome diz, um centro de cultura. Um grande centro de cultura, diga-se de passagem. É uma lindeza. Tem até um jardim suspenso.

Para não ficar só em minhas palavras, eis algumas fotos retiradas da internet.

 Para saber mais, vale a pena dar uma lida nesse texto aqui.




Cada escritor ou roteirista tem a sua forma especial para desenvolver as suas
criações. Não existe regras específicas para isso. Porém é sempre importante
aceitar e comparar técnicas conhecidas de quem já trabalha com isso. Uma das habilidades indispensáveis para quem escreve muitos romances e roteiros é o argumento.
O argumento é o esqueleto do roteiro. Ele serve para dizer o que acontecerá durante toda a trama. É como contar uma história sem nenhuma narração ou diálogo. É um texto repleto de "o personagem X fará isso, o personagem Y fará aquilo enquanto na cidade A acontece isso". O argumento é uma forma do roteirista preparar a história antes de escrevê-la para valer.
Muitas vezes o autor não tem tempo para escrever, por estar atarefado com múltiplos projetos e também estar focado em diversas obras. Neste caso, ele desenvolve os argumentos e os deixam reservados para que os mesmos não se percam nas suas ideias.
O roteirista quando é contratado para desenvolver o texto para um filme ou uma peça, costuma receber instruções do cliente do que será necessário e essencial para a obra. Daí ele pautua e elabora primeiramente o argumento, conferindo e desenvolvendo depois até finalizar o roteiro.
Se você já tem a sua ideia de história, mas não tenha a mínima ideia de como irá movimentá-la para a transformar em roteiro, então é necessário antes aprender a fazer argumento.
Para não se perder na elaboração e concentração, faça o argumento com frases. Oito laudas já são suficientes para um livro comum. Se houver enredos paralelos, coloque a frase em outra cor ou em negrito. Isso o ajudará a se manter concentrado e não se perder na estrutura.

Quando o olhar, adivinhando a vida,
prende-se a outro olhar de criatura,
o espaço se converte na moldura,
o tempo incide incerto sem medida,

as mãos que se procuram ficam presas,
os dedos estreitados lembram garras
da ave de rapina, quando agarra
a carne de outras aves indefesas,

a pele encontra a pele e se arrepia,
oprime o peito o peito que estremece,
o rosto o outro rosto desafia,

a carne entrando a carne se consome,
suspira o corpo todo e desfalece
e triste volta a si com sede e fome.

Por Arsenio Meira

O Poeta em Chamas


Sobre Murilo Mendes, é comum ouvir ou ler: "é um poeta esquecido, sem a mesma atenção dos poetas eleitos pelo grande público, pela crítica, e etc etc." A carga de injustiça detectada por esse (quase) lugar-comum é dolorosa. Talvez, essa releitura dos seus melhores poemas, mediante seleção graduada e apurada, com ensaio certeiro sobre a obra muriliana mitiguem essa pecha de poeta hermético. A edição da Cosac Naify faria Murilo dar cambalhotas de alegria ou plantar bananeira em pleno centro de Belo Horizonte... (ele agiria assim, a julgar pelo testemunho dos seus colegas de geração, ou dos seus conterrâneos.) João Cabral, certo dia, escreveu sobre Murilo: "Sua poesia sempre me foi mestra, pela plasticidade e novidade da imagem. Sobretudo foi ela quem me ensinou a dar precedência à imagem sobre a mensagem, ao plástico sobre o discursivo. É, em minha vida um poeta definitivo." O homem, portanto, é titular absoluto entre os grandes poetas do nosso modernismo. João Cabral e Vinicius de Moraes, por exemplo, passaram a vida inteira reconhecendo a força do seu lirismo. Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1901. Partiu em 1975, em Lisboa. No dia 13 de agosto.


Um poeta fascinante, à primeira vista pode parecer um poeta difícil. Mas não é. É que sua liberdade criadora nunca foi capaz de domar o seu feroz lirismo, de onde que se percebe em Murilo uma poesia instigante e perturbadora. Que irrigou em vários caminhos sementes da mais pura poesia. Do poema-piada aos experimentos dos seus grafitos. A Canção do Exílio, uma sátira sua ao clássico poema de Gonçalves Dias, por exemplo, pertence ao primeiro momento dele como poeta; o modernismo ainda em chamas, o poema piada (onde Oswald mandava tão bem) em voga; o poeta não se esquivou ao movimento modernista, ainda que tenha escrito que não participaria de escola alguma, ao menos fisicamente, na linha de frente, pois não seria um numeral para premiar a cabeça de bagre de um algum crítico desavisado. Mas era uma época de resistência para eles, e não é fácil estourar uma revolução. Foi justamente isso o que ele, Drummond, Mário de Andrade, Bandeira, Mennoti Del Picchia, Cassiano Ricardo e o próprio Oswald (dentre outros) fizeram. Não é fácil lutar contra costumes já sedimentados (o parnasianismo, a literatura beletrista e etc). Drummond, ao escrever o Poema da Pedra em 1928, provocou uma confusão dos diabos. Foi taxado de débil mental e etc. Oswald não perdoava ninguém, e em contrapartida teve papel também decisivo, e no final das contas quase entra para o limbo, mas isso já são outros quinhentos. 


Mário de Andrade e Manuel Bandeira como verdadeiros desbravadores ou pioneiros - deram rumo ao século XX em nossa vida literária. Murilo, após esse primeiro momento de afirmação transformou-se no poeta definitivo, tão bem descrito por João Cabral, Cabral que foi um dos principais legatários do próprio Murilo e de Carlos Drummond de Andrade. Pelos idos dos nãos 30, Murilo virou um católico militante, ardente. Pelas mãos de Ismael Nery e Jorge de Lima, toda culpa jamais seria perdoada. Preceitos de uma quadra de sua vida em que a solidão era companheira. A conversão não o tornou mais otimista, nem lhe suprimiu a angústia típica daqueles que sentem tão a fundo os dissabores da humanidade, que chegam a escrever, como Murilo escreveu, este sintético e impactante poema (infelizmente, atualíssimo):


"A TENTAÇÃO 


Diante do crucifixo

Eu paro pálido tremendo
Já que és o verdadeiro filho de Deus
Desprega a humanidade desta cruz.

Murilo era um poeta religioso, um espírito metafísico, mas nunca dispensava o senso de humor. Um poeta é capaz desta proeza: de ser dramático sem deixar de achar graça em tudo. Autor de uma História do Brasil, Murilo foi também um profeta. E um profeta bem-humorado, como está evidente nos versos brincalhões que escreveu a propósito dos fatos da nossa história, tratada quase sempre com excesso de retórica e escassez de documentos e de pesquisa. Publicada em 1932, numa edição modesta, a História do Brasil tem, por exemplo, um Hino do Deputado, que começa assim: "Chora, meu filho, chora./ quem não chora não mama,/ Quem não mama fica fraco." E por aí segue o poema/chiste.


Pode haver coisa mais atual? Murilo tinha o gosto do superlativo. Fico imaginando onde é que o poeta iria hoje buscar superlativos superlativíssimos para falar do Brasil deste ano da graça de 2014. De lá para cá, mais do que antiquíssima, a corrupção se tornou atualíssima e obsessão nacional. Com p ou sem p, antiquíssima, a corrupção sempre existiu. Lá está no Gênesis: assim que os homens começaram a famosa, multiplicação, o Senhor logo viu que a maldade deles era grande. Ferido de íntima dor, arrependeu-se de ter criado o homem. Mas eu falava sobre o poeta. Não esqueçamos que Murilo Mendes, por exemplo, foi um dos poetas mais latejantes, honestos e inventivos do nosso modernismo. Ele levava a ferro e fogo o lema de Pound: é preciso inovar sempre. Acho até que ele exagerou um pouco, mas o leitor poderá ler em sua volumosa obra poética que ele travou uma luta íntima para transformar-se. Inovar-se sem ferir a própria essência. Como os já citados grafitos, por exemplo, ele conseguiu, penso eu. Tenho a opinião que Murilo não caiu na esparrela da infertilidade, abstracionismo que obscurece muitos escritores, que correm mundo afora. A destreza verbal de Murilo é acachapante. Por muitos anos, li Murilo em Pé, deitado, no táxi, nas pausas das lides forenses. Esse poema inovador, com neologismos bem a calhar, que não distanciam o poema do lirismo que o tema reclama: a saudade do pai, o reconhecimento do amor paterno.


"Grafito na pedra de meu pai 


Teu filho pródigopolêmico girovagoAnárquico alicaídoInsoferente do Século


Acolhes preparandoPerdão vitualha serenim....Tu fosteCasa feita/ paz/ ternuraAberta para o mundo.Santo-e-senha distribuíasA pobre, amigo, ignoto.Irônico/ repentista/ malincônicoEis tua marca maior: hombridade.[...]Trabalhador da vida. Homem de aço& seda, sinto ainda pulsarteu coraçãoecumênico."


A gente ama Murilo Mendes, como ama T.S Eliot. Primeiro pela música, até mesmo antes que se entenda o que ele quer dizer. É uma devoção ou paixão que dura para sempre, porque Murilo, quando relido, é sempre novo, de uma fertilidade verbal e espiritual inesgotáveis.

O roteiro empregado em gibis e tiras é menos textual e mais visual. Por esse motivo que a ação e o humor devem ser mais desenvolvidos, porque a narração passa a ser um pouco desnecessária, dependendo do enredo.
O roteiro de tira funciona como uma piada. A piada deve ser rápida e prática, sem rodeios, porque fará algo que conhecemos no teatro como "golpe cênico", que é quando uma cena não precisa ser esmiuçada. A plateia capta e reage na hora (com risos, surpresa ou emoção), demonstrando entendimento.
Exemplo: qualquer cena engraçada, trocadilho ou pensamento filosófico pode ser transformada e adaptada para uma tira. Tudo dependerá da praticidade e criatividade.
Já o roteiro para quadrinhos exige enredo. Precisa-se pensar no que você quer focar ao elaborar a aventura de humor ou de ação para o seu personagem e os seus coadjuvantes.
Uma dica para se ter muita criatividade e desenvolvimento para os seus personagens é desenvolver a biografia dos personagens e a trama em volta. Há mais de 80 anos que a Família Disney se estende e por centenas de milhares de histórias em quadrinhos. Isso porque todos nós conhecemos o que acontece em sua "civilização". O Mickey, apesar de ser um camundongo antropomórfico, é o típico jovem adulto americano, com seus problemas pessoais como um emprego modesto, pouco dinheiro, um noivado atrasado, os sobrinhos para tomar conta, entre outros eventuais problemas. Junto com isso, ele também tem bons amigos e alguns inimigos que são necessários para que ele tome decisões inteligentes. Esse arquétipo também é empregado no Donald, na Minnie e na Margarida (os três também são jovens adultos com noivado, emprego simples, pouco dinheiro e sobrinhos sob suas responsabilidades).
Outro exemplo são os super-heróis dos quadrinhos. Se você perceber pelo menos 98% deles são órfãos. O impacto da tragédia e da perda que os motivam a tomar uma atitude punitiva a favor da sociedade, sempre com um apelo extravagante. O vilão que transforma o herói. Quanto mais o herói ficar atrelado à problemas pessoais, como a família, emprego e relacionamentos, mais humanizado ele se tornará, ganhando identificação e caindo no gosto dos leitores. E para dar mais construção e desenvolvimento, é só investir na biografia dos personagens coadjuvantes, com drama e humor na medida certa.

Quando for desenvolver roteiros para uma série de personagens, seja infantil com humor ou jovem com ação ou até mesmo adulto com drama, primeiramente elabore toda a biografia do grupo de personagens, além da história do local. Desta forma, qualquer temática fluirá naturalmente para desenvolver qualquer tipo de história.

Minha rotina continua na mesma: Acordar cinco horas da manhã, ir para o cursinho, ir trabalhar e chegar em casa meia- noite. Ainda continuo muito sem tempo para me dedicar ao blog, mas estou com a cabeça fervilhando de ideias para quando eu voltar.

Fico surpresa quando vejo que o blog ainda recebe visita mesmo na minha ausência. É um estímulo  a mais para não desistir.

Uma boa notícia é que já estou lendo o último livro da lista de livros da Fuvest.
Uma má notícia é que li muitos poucos livros esse ano.

Estou tão sem tempo que nem os livros do Bibliotecando 5 eu tive tempo de devolver.

Bem, é só isso. Mais novidades eu dou um jeito de avisar.

Fiquem bem.

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.
Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.
Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido
Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.


Um escritor pode trabalhar em diversas atividades envolvendo a escrita e uma delas é com algo em que ele está muito habituado a fazer que é o roteiro. Mas o que afinal o roteiro profissional tem de diferente para o roteiro de um romance? O lado profissional.
O escritor quando é roteirista tem o ofício de escrever seguindo regras
terceirizadas, seguindo o rumo determinado pelo cliente, no caso, o produtor ou
diretor da peça ou do filme. O argumento fica estabelecido e o roteirista segue a sua parte, com a questão do enredo já programado, se atentando no tempo e limites da produção.
O escritor que trabalha como roteirista tem uma ótima lição de disciplina e
controle, podendo desenvolver e construir bons textos e diálogos na extensão que quiser.
Exercício: use uma sinopse alheia e faça um roteiro, sem descrições de ambiente.

Somente falas. Faça 4 laudas e depois meça o tempo na leitura. O tempo depende muito das linhas de cada diálogo.

Quando a palavra "história em quadrinhos" é lida ou pensada, temos o hábito de imediatamente associarmos aos personagens do Maurício de Sousa ou então qualquer outro personagem infantil ou super-herói. Porém para quem conhece bastante do assunto, sabe que este conceito está muito além disso.
As histórias em quadrinhos têm a importante missão de nos apresentar uma história sob uma ótica mais visual e menos textual. Uma história em quadrinhos pode ser infantil, adulta, séria, entre outras inúmeras formas em que podemos contar e adaptar. Tudo dependerá de como o autor definir.
As adaptações mais infantis podem ficar mais associadas ao estilo cartoon. Já as adaptações de aventura, ao estilo mais conhecido como as dos gibis americanos ou até mesmo os mangás. Alguns dramas podem ser desenhados no estilo europeu, sempre tentando subliminar as narrações através de desenhos e paisagens. Como havia dito antes, que um escritor esculpe a arte com as palavras, o efeito desta vez deve ser inverso.
Agora, se o livro for uma série e tiver personagens marcantes, você pode ir além e ramificar uma revista em quadrinhos própria para tal personagem, desenvolvendo uma arte paralela. Deixe o projeto fluir.

Esta forma de adaptação funciona no mesmo esquema de uma adaptação teatral, com a diferença da mesma ser mais expressiva e a cinematográfica mais visual.
A adaptação cinematográfica do livro costuma focar nos aspectos estéticos, fotográficos e musicais de forma mais apoteótica possível. Outro detalhe é que nem sempre ele acaba se tornando fiel ao livro, porque ele acaba focando na visão pessoal de seus produtores e diretores. Por isso que muitas vezes um filme adaptado de livro decepciona tanto.
O filme adaptado de livro não pode ser comparado ao romance original. O filme é apenas uma ferramenta de franquia. Marketing puro, uma homenagem, seja como for. Existem filmes que pescam somente uma vaga ideia do que o livro queria passar. Isso explica o motivo para até mesmo autores se arrependerem de terem vendido os direitos do livro para tal adaptação.
A adaptação cinematográfica é importante para fazer o leitor se atentar à obra. Um filme pode ser mal-sucedido, mas o livro não. O livro sempre sobreviverá.

Uma caricatura não é uma pintura e tão pouco pode ser comparado a uma. A caricatura, ou então o desenho artístico, ou qualquer outro meio de expressão que identifique o original somente tem a intenção de homenagear o modelo dentro do seu limite. O filme adaptado sempre será uma homenagem à ideia original.

Noite após noite, exaustos, lado a lado,
digerindo o dia, além das palavras
e aquém do sono, nos simplificamos,

despidos de projectos e passados,
fartos de voz e verticalidade,
contentes de ser só corpos na cama;

e o mais das vezes, antes do mergulho
na morte corriqueira e provisória
de uma dormida, nos satisfazemos

em constatar, com urna ponta de orgulho,
a cotidiana e mínima vitória:
mais uma noite a dois, e um dia a menos.

E cada mundo apaga seus contornos
no aconchego de um outro corpo morno.

Por Arsenio Meira

"Eu fugi, pai. Não aguentei até o fim. Teria fim?" 


Rogério Pereira ficou conhecido no meio literário contemporâneo como o idealizador do prestigiado jornal literário Rascunho. Em seu primeiro romance ele honrou a tradição legada por LÚCIO CARDOSO. Uma família decide deixar o campo em busca de alguma esperança na cidade grande. E neste processo (também interiorizado) de imigração, um pai diabólico, com indícios de DNA nazista, uma mãe alheia, e dois jovens personagens - irmãos - submetem-se à perpétua brutalidade do pai, um psicopata, um ser doentio; sofrem os percalços de uma puberdade represada.

Como senão bastasse a perseverança das ruínas, irmanam-se ainda mais em meio a uma tragédia que cava mais fundo o abismo, que por seu turno, torna-se o ponto nuclear do romance. A partir de tal fato, a cidade grande deixar de ser uma esperança para transformar-se no exílio de cada um dos integrantes da família sem nome.Num primeiro instante, percebe-se na mudança do campo para a cidade, denominada apenas como "C", uma resistência, um traçado (breve) de luta contra a pobreza e o vazio da vida de outrora. Imigram. Todavia no comboio da imigração cada um carrega suas dores, seus suores e temores, como um membro do corpo .

O escapismo da mãe - que se entrega fanaticamente à religião, renegando os filhos a um estado de abandono - é mais uma nota digna muitíssimo bem pinçada pelo autor, neste romance que, em certo momentos, me fez custar a crer que se tratava da estreia do escritor curitibano. Novato, porta-se como um veterano; como veterano, porta-se afiado, emulando um fluxo amargo de consciência em estilhaços, aqui vivificado por meio das cartas que o filho mais velho escreve para o pai. As cartas são intercaladas com os capítulos, fixando na narrativa as revelações e o estertor que o sofrimento impõe a todos. 

E tudo isso nos dá uma ideia angustiante de que a imigração não vai estancar: nem em pleno sol do Saara ou na "escuridão, a manhã." O livro é um exemplar raro de intensidade obtida mediante a eliminação de tudo o que não esteja em consonância com o talento literário, arte, canção triste, e drama. Sim, drama. Mas sem folguedos piegas ou fumaças de pretensa poesia.

Por Arsenio Meira


"É quando a vida vase/ É quando como quase/ Ou não, quem sabe..." - Paulo Leminski

"Como é" destaca-se como uma das experiências mais ousadas de Beckett, no que concerne a violentar a linguagem até limites improváveis. Algumas pessoas que conheço acharam este livro esquizofrênico. Uma conhecida falou-me que doou o romance para a biblioteca publica. Só encontrei uma opinião positiva, ainda que moderada, a respeito tão somente deste romance, que nem sei se romance é. À falta de um nome, vai romance mesmo.

Para apresentar uma fábula sobre um tipo de existência que perdeu tanto sua forma quanto seu princípio e na qual a vida não mais progride, Beckett destrói tanto a forma quanto o princípio até então característicos das fábulas: agora a fábula destruída, a fábula que não mais segue adiante, torna-se a representação adequada da vida estagnada; sua parábola sem significado sobre o homem ocupa o lugar da parábola do homem insignificante. 

Por meio de uma escrita deficiente, amputada, mutilada, Beckett nos leva à evidência do esgotamento; ao engodo por trás das certezas:ao inóspito por trás do apreensível. Sua estrutura inusitada o afasta em absoluto de quaisquer modelos romanescos que se nos possam acudir à memória: não há pontos, parágrafos, sinais, maiúsculas ou qualquer coisa que lembre uma utilização conveniente e compreensível da língua. Há apenas fragmentos. Amontoados de palavras que se seguem num ritmo frenético, denunciando a falência de uma linguagem que se descobre incapaz de ir além, de atribuir significados últimos e duradouros, de traduzir o mundo e trazer conforto. Há, em sua prosa corrosiva e subversiva, a contínua impossibilidade de comunicação. 

Ao som da reverberação deste caos esbravejante, que se repete e renova a cada linha tecida pelo tormentoso pai de Godot, a experiência com a linguagem é levada por Beckett a seus limites mais ríspidos. Um soco na cara, na lata, sem chance de reação. Em "Como é", Beckett fez seu maior desafio ao rigor da convenção: não ofereceu história alguma, e assim o fez, creio, por entender que, naquela altura do campeonato, o ser humano já estava numa baita fria: eliminado da História, e desprovido de qualquer caminho.


Toda, mas toda história pode ser adaptada para música, novela, desenho animado, história em quadrinhos e teatro.
Por quê? Porque todas eles são histórias. E histórias são adaptáveis. Tudo depende do nível de criatividade do autor.
Eu considero o teatro a melhor forma de expressão do ator. No palco, o ator está acompanhando a reação do público. Ele se desenvolve através das apresentações. Uma encenação nunca será exatamente igual à outra.
O livro em teatro irá se concentrar mais nas emoções e reações dos personagens. Visual, características, manias, personalidades, etc. já as cenas mais complexas, que exigiriam maior interação com cenários distintos, podem então ser descritos pelos personagens.

Se você também é ator e tem um bom relacionamento com uma companhia de teatro, invista nesta experiência. Apresente o seu livro e converse sobre a possibilidade de adaptação. Será algo marcante e biográfico.

Vocês já devem ter percebido que o blog está um pouco parado e me doí o coração vê-lo nesse estado, mas estou vivenciando uma nova rotina na minha vida, de modo que estou sem tempo nem para respirar.
Saio de casa cinco horas da manhã e só estou de volta meia-noite; porque estou fazendo cursinho e trabalhando. O que não me permite pensar em postagens para o blog, o que não me permite ter um tempo para ler os livros que eu gostaria de ler e se não tem leitura, não tem resenha. Estou focando nos livros do vestibular, que leio nos ônibus e metrôs, quando não estou cochilando.

Está sendo um fase bastante cansativa. Quero que os dias dos vestibulares cheguem logo, quero estar logo na universidade. Mas enquanto isso não acontece, vou ver se consigo, pelo menos uma vez na semana, deixar algumas postagens programadas. Mas não prometo nada.

Algo que vai facilitar minha vida é o fato de eu ter descoberto que o Blogger tem aplicativo para celular. Já baixei o aplicativo. O que significa que poderei escrever as postagens de qualquer lugar. Minha vida agora é essa: baixar um monte aplicativos no celular para facilitar as coisas. Só acho que deveria existir um aplicativo do Skoob também.

É isso. Me desculpem por não ter avisado antes.

Assim como em um filme, ou em um seriado de ação ou até mesmo desenho animado, todos eles precisam ter um apelo comercial para sustentar o seu propósito publicitário. Produções cinematográficas são um catálogo ambulante de modismos e campanhas. Através deles são inseridos marcas, roupas, produtos, brinquedos, alimentos, entre outras coisas. E junto com eles, também são vendidos produtos com temática dessas produções. Assistimos uma cena de ação em um filme e logo podemos ter essa mesma experiência no game do mesmo. Ou então poder levar pra casa aquela adorável criaturinha do desenho em forma de pelúcia ou até em miniatura de vinil.
Isso tudo porque é necessário ter retorno. E todos sabemos que a porcentagem de direito autoral é muito baixa.
Os brindes temáticos de livros são uma forma de tornar a obra mais apresentável. Uma réplica do colar que a personagem usa, o logotipo do livro estampado na camisa, um chaveiro no formato da miniatura do livro, adesivos, etc.
Pesquise empresas ou artesãos que podem confeccionar esses itens e invista em uma edição limitada. E não se esqueça de tirar fotos com todos os itens junto com o livro.



A blogueira Maria Ferreira, responsável pelo blog "Minhas Impressões", que também tem página no Facebook foi contemplada pelo Conselho Internacional dos Acadêmicos de Ciências Letras e Artes (CONINTER) com o Mérito Literário, em reconhecimento pelo farto trabalho acadêmico, cultural e literário apresentado e divulgado na internet. Maria Ferreira é leitora assídua, autora de uma lista de resenhas de qualidade, além de colaboradora cultural, incentivando e fazendo cobertura de diversos eventos literários. O título tem registro e reconhecimento no Ministério da Cultura.

Leo Vieira

Sempre falo que escrever é coisa séria. Não importa que seja uma ficção ou um estudo acadêmico, mas o escritor precisa fazer o leitor viajar nas palavras. As obras bem trabalhadas são marcantes e permanecem na imaginação dos leitores.
Para isso, o escritor precisa ter uma rotinha de pesquisas, análises, comparações, até ter estrutura para realizar uma boa história e contá-la da melhor forma possível.
Tudo funciona como uma receita de bolo. Tudo é baseado com ingredientes, porém alguns deles são melhores e a combinação podem resultar em uma iguaria apetitosa.
Uma história bem preparada vai provocar "apetite literário". Desenvolva a personalidade dos personagens, faça boas descrições dos cenários, revele curiosidades sobre o local, enfim, faça a obra se tornar uma verdadeira viagem.

E quando for se aventurar em um novo texto, procure tornar o romance o mais distinto possível. Os leitores gostam de surpresas.