Os poemas presentes nesse livro se encaixam dentro de cinco grandes temas, os quais, Sandro Ornellas, na apresentação no início do livro, classifica como mitopoéticas de matriz afrodescendente: Capoeira, Congado, Jongo, Orixás e Vissungos.
Cada mitopoética é composta por oito poemas, cada um em uma página, acompanhados de ilustrações em preto e branco. A passagem de uma mitopoética para outra é marcada por uma ilustração colorida que ocupa duas páginas e remetem ao assunto. As ilustrações, todas cheias de potência representativa, foram feitas por Mauricio Negro.

O livro começa com uma introdução que dá uma breve contextualização histórica de como os povos africanos foram trazidos como escravos para o Brasil e de como os portugueses, julgando-se muito espertos, pensaram que se misturassem povos de diferentes regiões, culturas e línguas, não haveria comunicação entre eles e não pensariam em armar um plano para fugir. O que os portugueses não previram é que essas culturas juntas formariam uma religião, o candomblé, que tem as divindades vindas da África e que com a influência do espiritismo, no Brasil, se formaria a umbanda.
O candomblé como religião com crenças surgiu no Brasil, na África havia o culto aos orixás, mas não era entendido como uma religião.


"Os Orixás sob o céu do Brasil", de Marion Villas Boas e ilustrações de Sandro Lopes, é uma publicação da editora Biruta e foi um dos livros que solicitei em parceria com a editora.
Solicitei esse livro porque tenho curiosidade de saber mais sobre o assunto e também porque passei tempo suficiente em uma igreja que demonizava as religiões de matriz africana, o que me fez sentir medo, mas hoje em dia, aos poucos, o que sinto é vontade de conhecer sobre a nossa história, não do ponto de vista do opressor, mas dos oprimidos, que consequentemente, é uma história de resistência.